Repassando

OFICINA DE SMARTPHONE E TABLET PARA A MELHOR IDADE

A tecnologia, sem dúvida, invadiu o cotidiano de grande parte da população. Crianças, já nos primeiros anos de vida, manuseiam facilmente celulares e tablets, com os pequenos dedos ágeis. Mas essa facilidade não é sentida em todas as gerações. E quem mais tem dificuldade com o uso dos aparelhos são os idosos. Um mundo novo para quem não conviveu com toda essa modernidade desde a infância.

Pensando em uma maior acessibilidade dos idosos de nossa comunidade, o Instituto IBGPEX, vinculado ao Centro Universitário Internacional UNINTER, oferecerá na segunda quinzena de março, uma Oficina de Smartphone e Tablet para a Melhor Idade e convidamos a todos de Curitiba e região a participarem.

O curso terá o investimento de apenas R$ 35,00 e as turmas serão ministradas às segundas e quartas-feiras, ou terças e quintas-feiras no período da tarde, com duração de 6 aulas, tendo 1h30 cada aula, sendo por tanto, 9 horas de curso no total.

Durante a aula, cada aluno trará seu próprio celular ou tablet, e será ensinado dentre outras funcionalidades, ações desde criar e apagar os arquivos definitivamente do celular, como baixar fotos para o computador e até editá-las, bem como, a forma correta de manuseio de aplicativos de fotos, vídeos, músicas, downloads, mensagens de texto, e, redes sociais, como Face book, WhatsApp, you tube e Instagram.

Para inscrições ou mais informações os interessados deverão entrar em contato com os fones abaixo, de segunda a sexta-feira, das 08:00 às 18:00 ou enviar e-mail.

EDENIR MARQUES DA SILVA
(041) 3311-5608
(041) 99693-1115
edenir.s@uninter.com

Problema da vida moderna não é excesso de solidão, mas escassez

E que tal um ministro para a solidão? Não é ideia minha. Já existe. No Reino Unido, a premiê Theresa May considerou a solidão “a mais triste realidade da vida moderna”. Para combater esse mal, indicou a ministra Tracey Crouch para “desenvolver” uma “estratégia” adequada.

Confesso que a ideia me parece absurda. Tão absurda como haver um ministro para a tristeza ou uma ministra para o fracasso. Razão óbvia: Theresa May está errada quando acredita que a solidão é uma “realidade” moderna. Não é.

A solidão, tal como a tristeza e o fracasso, faz parte da condição humana, provavelmente desde o momento em que os membros da espécie tiveram consciência de si próprios.

A solidão não tem “cura” porque, em rigor, não é uma doença. Exceto para a tradição racionalista —antiga e moderna— em que Theresa May, ironicamente tida por “conservadora”, se inspira.

Sobre o racionalismo antigo, não é preciso um conhecimento íntimo de Aristóteles para lembrar o seu argumento político primeiro: o homem é um animal social. O que significa que o reverso desse desígnio só é admissível se estivermos na presença de deuses ou bestas.

Por outras palavras: viver é viver em sociedade, participando nos assuntos da cidade. Eis a célebre “liberdade dos antigos”, na definição posterior de Benjamin Constant (1767-1830): para os antigos, os homens só são livres pela submissão dos interesses individuais às necessidades da comunidade.

Claro que o cristianismo introduziu nesse conceito de liberdade uma mudança relevante, ao proteger a inviolável (e solitária) “liberdade interior” dos homens —e, no limite, o direito dos mesmos em repudiarem a cidade terrestre.

Mas o racionalismo floresceu e triunfou a partir de inícios do século 16: se todos os problemas humanos têm solução, o desafio passa por encontrar a “técnica” adequada para responder a tais problemas. “Ministério da Solidão” poderia perfeitamente ser o título de um livro de Francis Bacon (1561-1626).

Mas Theresa May também está errada por outro motivo: e se o grande problema da “vida moderna” não for o excesso de solidão, mas a sua escassez?

Essa é a tese de Michael Harris em “Solitude: In Pursuit of a Singular Life in a Crowded World”. O livro é mediano, confesso, mas existem duas ou três observações que merecem leitura e concórdia.

A primeira delas é que a “vida moderna” é uma gigantesca conspiração para abolir a solidão. Basta escutar os desejos utópicos de um qualquer Zuckerberg ensandecido: para os novos profetas do Vale do Silício, o ideal a atingir é um mundo de conversas contínuas, em que a privacidade não passa de uma relíquia —e todos podem espionar todos.

Alguns números: em 2006, 18% da população mundial estava ligada à internet; em 2009, 25%; em 2014, 41%. E, para ficarmos nas “redes sociais”, 8% dos americanos frequentavam esses espaços virtuais em 2005. Em 2013, o número andava nos 73%. Em breve, a “conectividade permanente” não será apenas total; será totalitária.

Infelizmente, essas quimeras de “conectividade permanente” nunca questionam qual o preço que pagamos pela perda de solidão. Para Michael Harris, o prejuízo é triplo.

Sem uma boa dose de solidão, perdemos o tempo de quietude no qual as melhores e mais inesperadas ideias acontecem.

Sem uma boa dose de solidão, somos incapazes de entender o que somos e não somos —no fundo, o ponto de partida para haver um ponto de chegada que seja significativo e real.

Sem uma boa dose de solidão, nem sequer ganhamos o que de mais importante podemos oferecer aos outros: uma disponibilidade genuína e limpa de ruído.

No Reino Unido, Theresa May quer combater a solidão. Se o objetivo do governo for ajudar os abandonados, os doentes e os desprovidos, nada a opor. Para os restantes, talvez fosse mais útil ensinar que a solidão não é uma anormalidade; é parte do que somos. Mas não apenas do que somos; também do que precisamos.

De igual forma, mais importante do que abolir a solidão é aprender a viver com ela; a habitá-la com os instrumentos de uma cultura —a fruição da beleza, da memória, do pensamento; a tratá-la pela segunda pessoa do singular. Quem sabe?

Pode ser que, um dia, o medo da solidão se transforme em gratidão sincera por termos encontrado a nossa companhia.

João Pereira Coutinho
Escritor português, é doutor em ciência política. Escreve às terças e às sextas.

Vitaminas e Suplementos

O mercado mundial de vitaminas e suplementos alimentares é bilionário. Só nos Estados Unidos, movimenta US$ 30 bilhões anuais, com mais de 90 mil produtos vendidos pela internet ou expostos em lojas que mais parecem hipermercados.

Inquérito recente revelou que 52% dos americanos adultos consomem um ou mais desses produtos, enquanto 10% fazem uso de pelo menos quatro. Vitaminas e sais minerais (micronutrientes) lideram as vendas.

O consumo está baseado na crença religiosa de que, dessa forma, o usuário mantém a saúde e evita doenças. Digo religiosa, porque nenhum estudo científico até hoje realizado foi capaz de demonstrar qualquer benefício dessa prática em pessoas bem nutridas.

Pelo contrário, a ingestão de certos micronutrientes em doses diárias mais altas do que as recomendadas (betacaroteno, ácido fólico, vitamina E, vitamina A e selênio, por exemplo) pode aumentar a mortalidade geral e o número de óbitos por câncer e acidentes vasculares cerebrais hemorrágicos.

Em desacordo com a crendice popular, o ideal é que a fonte de vitaminas e sais minerais seja a alimentação. Uma dieta rica em vegetais e proteínas oferece os micronutrientes em proporções biologicamente equilibradas, enquanto a administração de um deles, em doses altas, corre risco de afetar o equilíbrio fisiológico do organismo.

Isso quer dizer que a prescrição de vitaminas deve ser abandonada? Não, mas é preciso critério para receitá-las apenas nas condições em que existem evidências científicas dos benefícios.

1) Gravidez: no primeiro trimestre, toda mulher deve tomar ácido fólico para prevenir malformações do tubo neural do feto. É um dos raros micronutrientes biodisponíveis mesmo na forma de suplementos ou alimentos fortificados. As grávidas devem ser aconselhadas a adotar dietas ricas em ferro e a fazer reposição se tiverem níveis baixos de hemoglobina. As vantagens da vitamina D e do cálcio não estão comprovadas.

2) Bebês e crianças: bebês amamentados exclusivamente com leite materno devem tomar 400 unidades diárias de vitamina D desde o nascimento, até começar a receber leite fortificado com esse micronutriente. A partir dos 4 meses, é preciso suplementar ferro até a adoção de dietas contendo esse mineral (geralmente depois dos seis meses).

3) Adultos mais velhos: depois dos 50 anos, algumas mulheres e homens podem ter dificuldade de absorver vitamina B12. Nesses casos, estão indicados alimentos fortificados ou suplementos. Vitamina D deve ser receitada para aqueles que não se expõem adequadamente à luz solar.

Quanto à reposição de cálcio (muito popular no passado), vários estudos levantaram a suspeita de que possa aumentar o risco de cálculos renais e doenças cardiovasculares.

Em virtude dessas preocupações, a indicação deve ficar restrita aos que não consomem quantidades suficientes de leite, laticínios e vegetais escuros. Nessas situações, é mais prudente que a dose não ultrapasse 500 mg/dia.

Existem outras condições que exigem suplementação: cirurgia bariátrica (complexo B, ferro, cálcio, zinco, cobre e multivitaminas), anemia perniciosa (vitamina B12), doença de Crohn e outras doenças inflamatórias intestinais (ferro, vitamina D, zinco, magnésio e multivitaminas), osteoporose (vitamina D, cálcio e magnésio).

Considerar reposição, ainda, quando houver uso prolongado de medicações como os inibidores de bomba de prótons omeprazol, esomeprazol, pantoprazol (vitamina B12, cálcio e magnésio), metformina para diabetes (vitamina B12) e dietas restritivas ou pobres em micronutrientes (multivitaminas, B12, cálcio, vitamina D e magnésio).

Caríssimo leitor, se você é daquelas pessoas bem alimentadas que não se enquadra nas situações descritas, mas tem fé nas vitaminas e suplementos industrializados para ajudá-lo a preservar a saúde e a prevenir gripes, resfriados, infartos e outras enfermidades, tira o cavalo da chuva. Nenhum medicamento da medicina do século 21 tem esse poder milagroso.

Sem contar com a ajuda da farmacologia, só resta uma alternativa: menos excessos alimentares e mais atividade física. Não dá para passar o dia sentado comendo tudo o que está por perto.

Por: Drauzio Varela (FSP 17/02/18)

A segurança como política pública, chega de mortes de crianças

A partir da Constituição de 1988, passamos a descentralizar boa parte dos serviços públicos. O cidadão, é sabido, mora nas cidades —e não na União— e nelas a transparência das ações e o acesso aos governantes tende a ser maior do que nos misteriosos corredores de Brasília.

Entre as vozes que, à época, clamaram pela municipalização, estava a de Franco Montoro, que preconizava o princípio da subsidiariedade: nada deveria ser feito no nível superior de governo se pudesse ser resolvido em níveis inferiores. Isso fazia todo o sentido, especialmente depois de anos de governo autoritário.

Na área da saúde, a Constituição foi cuidadosa e, ao descentralizar a prestação de serviços, previu duas medidas importantes: criou um sistema que integra ações de diferentes níveis, com um mecanismo claro de coordenação, e acabou com instituições públicas paralelas que atendiam só os trabalhadores formais, como o INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).

Não se trata, evidentemente, de uma prestação de serviços ideal. As emergências de hospitais se encontram muitas vezes apinhadas de pessoas que não procuram centros de saúde, seja por não quererem se deslocar para realizar exames complementares, seja por reduzidas condições de atendimento, dada a falta de investimento ou boa gestão do equipamento.

Mas o desenho institucional e a boa prática de alguns municípios evidenciam o acerto do legislador. O mesmo, no entanto, não ocorreu com educação ou segurança.

Não foi previsto um sistema adequado que articulasse a educação oferecida por governos municipais e estaduais. A União, até recentemente, não exercia um papel coordenador, a não ser na avaliação e em algumas ações pontuais.

Isso começou a ser mudado pelo exercício mais efetivo de um papel coordenador de Ministério da Educação, culminando na elaboração da Base Nacional Comum Curricular, na implementação de importantes programas e no uso do regime de colaboração entre Estados e municípios.

Mas em segurança, responsabilidade estadual, pouco foi feito para articular uma política nacional. Foram criadas a Força Nacional e alguns atos normativos, mas falta claramente um sistema único de segurança, o que dificulta não apenas a atuação mais efetiva das polícias como uma articulação com outras políticas públicas —como educação, desenvolvimento social e cultura— que poderiam ter um papel extremamente importante na prevenção do crime e na promoção de um convívio pacífico entre os moradores de cada território.

A alternativa a uma ação mais competente e integrada em segurança pública? Mais anomia, mais Emilys Sofia e Jeremias…

Por: Claudia Costin

É professora da FGV e professora-visitante de Harvard. Foi diretora de Educação do Bird, secretária de Educação do Rio e ministra da Administração.

Síndrome de Mayer-Rokitansky-Kuster-Hauser

“A síndrome de Mayer-Rokitansky-Kuster-Hauser é uma condição incomum, com incidência de um para cada 4.000-5.000 nascimentos de meninas, sendo a segunda causa mais frequente de amenorreia primária, após as disgenesias gonadais. É uma forma de agenesia mülleriana caracterizada por atresia vaginal, anomalias uterinas e tubárias, que podem incluir ausência ou hipoplasia. As pacientes apresentam cariótipo 46,XX e caracteres sexuais secundários normais, uma vez que os ovários estão presentes e funcionantes, porém não há menstruação.

A síndrome se apresenta em três formas, classificadas segundo o acometimento de estruturas além do aparelho reprodutor. A síndrome típica, tipo I, é representada por alterações restritas ao sistema reprodutor. A segunda, tipo II, é uma síndrome atípica, na qual estão presentes assimetria no remanescente uterino e anomalia das tubas uterinas. Esta forma pode estar associada a doença ovariana, alterações renais, ósseas e otológicas congênitas. Um terceiro tipo, denominado MURCS, envolve hipoplasia ou aplasia uterovaginal, malformações renais, ósseas e cardíacas.

As malformações renais que podem ser encontradas são agenesia unilateral, rim em ferradura, hipoplasia renal, rins ectópicos e hidronefrose. As malformações ósseas ocorrem principalmente nas vértebras, sendo mais comuns a fusão de vértebras, principalmente cervicais, síndrome de Klippel-Feil e escoliose. As alterações cardíacas e digitais, como sindactilia e polidactilia, são mais raras que as anteriores.

A etiologia permanece desconhecida, porém o aumentado número de casos em grupos familiares ressalta a hipótese de uma causa genética.

Fonte: Scielo:

Síndrome de Mayer-Rokitansky-Kuster-Hauser: relato de caso e revisão da literatura*

Rodrigo Manfroi Gutsche; Lucia Antunes Chagas; Rodolfo Leal; André Lima da Cunha; Maria Célia Resende Djahjah

Alunos “especiais”

Cada vez mais, as crianças têm chegado às salas de aula com recomendações de diagnósticos médicos debaixo do braço. São hiperativas, possuem algum grau de autismo, possuem transtornos que afetam a concentração ou parte do aprendizado ou mesmo são pequenos que possuem algum nível de deficiência física ou sensorial.

Na Europa e nos EUA já se trabalha até com detecção de casos de estudantes que são considerados muito “sensíveis”: indivíduos com os sentidos bastante aguçados em relação aos estímulos sonoros, táteis, olfativos ou mesmo que possuem grande retração para interagir ou para participar de atividades coletivas, por exemplo.

De um lado, um diagnóstico pode facilitar a criação de estratégias pelo professor e pela escola para melhor atender o aluno, por outro, ele pode criar subgrupos escolares que caminham rapidamente rumo ao estigma. Há escolas que os tratam como alunos “especiais” e outras como “alunos de inclusão”.

É sem dúvidas um avanço a molecada ter precocemente a chance de ser inserida no ambiente escolar já se levando em consideração suas peculiaridades. Isso ajuda a ela ser melhor observada e entendida naquilo que a difere.

O que pode desvirtuar-se muito facilmente diante disso é o papel da criança como aluno. Ter uma característica diferente não pode ser, de maneira nenhuma, razão que a isole, que a torne um bibelô intocável e ou um ser problemático para o ambiente de ensino.

Uma coisa é dar mais tempo de prova para um pequeno que tenha paralisia cerebral e vai escrever devagarinho ou que se evite expor uma criança com autismo a um ambiente com diversos estímulos desconhecidos por ele. Outra coisa é excluir o estudante de participar de uma atividade ou “poupá-lo” de uma situação corriqueira em sala de aula porque ele é “especial” e alguém julga à revelia que seria melhor evitar sua exposição.

Importante pontuar também que ter uma deficiência ou diagnóstico de alguma particularidade não pode ser jamais um escudo para que o aluno se afugente de ser cobrado, de ser atuante em classe ou extraclasse. Cabe ao professor desconsiderar essa desculpa como instrumento para aliviar pressões naturais que todo estudante precisa ter.

Aos pais é fundamental saber dividir bem o que é ter cuidado com o filho e com suas demandas específicas, cobrando um bom programa educacional, com preceitos inclusivos de verdade, e o que é superproteção que o fará menos apto não só durante a vida escolar, mas por todo o seu futuro.

Quando se mistura a necessidade pontual de adotar novas táticas metodológicas ou de interação para que um aluno tenha um aprendizado digno e pleno com o medo de dialogar com essa criança, com uma barreira imaginária que a difere das outras pelo simples fato de não seguir um padrão, o princípio da inclusão não se estabelece.

Todos ganham com a exploração daquilo que é diverso e é esse um caminho seguro chamar à participação os tais “alunos especiais”. Educar é permanente processo de reaprender, de rever e de buscar maneiras de compreensão e colaboração.

Por: Jairo Marques