Miastenia

A miastemia grave é uma doença que provoca a debilidade dos músculos voluntários. Os músculos que podemos controlar. Por exemplo, pode-se ter debilidade nos músculos responsáveis pelos movimentos dos olhos, expressões faciais ou mesmo o engolir, por isso, toda a região fica comprometida. Esta doença piora com a atividade e melhora com o descanso ou repouso.

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É uma doença autoimune, o próprio sistema imunitário gera anticorpos que obstruem e alteram alguns dos sinais nervosos aos músculos. Isto os debilita e enfraquece-os.

Outras doenças também podem causar a debilidade muscular, mas a miastemia grave pode ser difícil de diagnosticar. Os exames de diagnóstico incluem exames de sangue, dos nervos, músculos e de imagens. Estima-se que hoje no Brasil há 150 mil casos.

O tratamento pode ajudar, mas esta doença não tem cura.

Síndrome do X frágil

Esta síndrome é a forma mais comum de deficiência intelectual hereditária. É causada por um gene específico. Em geral o gene produz uma proteína necessária para o desenvolvimento cerebral. O que acontece nestes casos é um defeito neste gene – um produção pequena ou sem produção desta proteína. Isto resulta nos sintomas do X frágil.

Muitas pessoas com pequenas mudanças neste gene não tem sintomas do X frágil. Outras, com mudanças maiores podem ter sintomas severos. Os principais sintomas são:

  • Problemas na fala, principalmente nos adolescentes (meninos);
  • Problemas emocionais e sociais, como agressão nos meninos e timidez nas meninas;

Uma prova genética pode diagnosticar a síndrome. O X frágil não tem cura. É possível tratar alguns sintomas com terapia educativa, seja no aspecto físico ou médico.

Começar cedo a reabilitação é fundamental.

Referência: https://www.nichd.nih.gov/espanol/salud/temas/fxtas/Pages/default.aspx

Transtorno de ansiedade generalizada (TAG)

As pessoas que sofrem do TAG passam o dia sentindo preocupação e tensão, inclusive quando as razões para sentir-se assim são mínimas ou nulas. Antecipam os desastres e se preocupam demasiadamente com os temas de saúde, dinheiro, problemas familiares ou dificuldades no trabalho. Em algumas ocasiões, o simples fato de pensar no dia seguinte pode produzir ansiedade. O TAG se diagnostica quando uma pessoa se preocupa muito com uma variedade de problemas do cotidiano durante um período de seis meses no mínimo. Afeta aproximadamente 6.8 milhões de americanos adultos e os casos em mulheres o número é maior que o dos homens.

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Sintomas do TAG:

Incapacidade para relaxar/Assusta-se facilmente/Dificuldade para concentrar-se/Dificuldade para dormir/dores de cabeça/tensão muscular/transpiração/ dificuldade para respirar/náuseas/movimentos espasmódicos e outros;

 

Indicações:

O tratamento precoce pode ajudar a controlar a enfermidade e evitar que alcance etapas mais avançadas; além disso, as pessoas podem aprender maneiras efetivas de viver com este transtorno.

Em alguns casos, os medicamentos são recomendados.

Se o TAG for o seu caso, procure um médico.

 

Síndrome de Saethre-Chotzen

“A fusão precoce de uma ou mais suturas dos ossos chatos do crânio, que ocasiona alterações no formato da cabeça, é denominada craniossinostose. Dependendo da sutura envolvida as deformidades craniofaciais podem ser: braquicefalia para sutura coronária e plagiocefalia para a lambdoide, estas deformações produzem problemas neurológicos devido ao efeito restritivo do crescimento cerebral, determinando a necessidade de tratamento cirúrgico urgente. Nas craniossinostoses sindrômicas se encontram outras anomalias congênitas; os fatores genéticos são geralmente os causadores das manifestações clínicas que incluem, além do fechamento precoce de suturas cranianas, outras anomalias associadas(1).

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fig. 1

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fig. 2

 

fig. 1 – Braquicefalia e plagiocefalia, assimetria facial, hipertelorismo ocular,
estrabismo divergente, blefaroproptose.

Figura 2 – Hemimelia distal do antebraço direito, dedos rudimentares; mão esquerda com braquidactilia discreta, hipoplasia das falanges distais, clinodactilia do 5º dedo.

A incidência de craniossinostose é de 0,4 a um caso em mil nascidos vivos; a prevalência estimada da síndrome de Saethre-Chotzen varia de 1/25.000-1/50.000 nascidos vivos. As primeiras descrições da síndrome foram realizadas por Saethre em 1931 e Chotzen em 1932, como acrocefalia e sindactilia, e foi Kreiborg,em 1976, que denominou a síndrome como Saethre-Chotzen(2), em seguida, Reardon delineou os critérios clínicos(3). A herança é autossômica dominante, a penetrância é completa, pois todos os indivíduos portadores apresentam alguma característica clínica, a expressividade é variável porque o gene não se manifesta da mesma forma e intensidade entre diferentes indivíduos afetados. Atualmente as alterações moleculares associadas envolvem predominantemente o gene TWIST, mapeado na região 7p21 e algumas deleções e translocações balanceadas, bem como mutações no exon 1 deste gene, que codifica um fator de transcrição que regula o desenvolvimento das células do mesênquima da cabeça, durante a formação do tubo neural; a mutação produz haploinsuficiência(4). O protocolo de investigação dos pacientes deve incluir exame dismorfológico dirigido, estudos radiológicos de imagem e exame citogenético. O tratamento é feito por equipe multidisciplinar; o planejamento cirúrgico deve ser feito em etapas, devendo a craniotomia, com objetivo de descompressão cerebral, ser realizada na infância.”

referência: Jorge Arturo Aviña Fierro
Pediatra dismorfólogo. Hospital de Pediatria IMSS, Centro Médico Nacional, Guadalajara, México.
Gloria Colonnelli Barba
Médica geneticista. Hospital Santa Casa de Misericórdia do Pará. Professora de Genética, Universidade Estadual do Pará, Belém, PA.
Huentitán El Alto. Guadalajara 44390. Tel.: 52 3336-743701. E-mail: avinafie@megared.net.mx

Descoberto mecanismo celular que desencadeia síndrome rara

Maria Fernanda Ziegler | Agência FAPESP – Os mecanismos celulares e de expressão gênica que levam à má-formação da mandíbula, traço mais característico da síndrome de Richieri-Costa Pereira, acabam de ser esclarecidos.

Pesquisadores do Centro de Pesquisa sobre o Genoma Humano e Células-Tronco (CEGH-CEL) e da Duke University, nos Estados Unidos, descobriram que nos casos da síndrome ocorrem problemas no processo de migração e diferenciação celular durante a formação do crânio e face, processos que ocorrem no primeiro trimestre de gestação humana.

A síndrome de Richieri-Costa Pereira é uma doença autossômica recessiva descrita pela primeira vez em 1992 pelo professor Antonio Richieri-Costa e equipe do Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais da Universidade de São Paulo (USP) em Bauru. Atualmente há mais de 20 pacientes conhecidos com a doença no Brasil (e um no exterior), mas o estudo da doença pode dar pistas importantes sobre a formação craniofacial durante o desenvolvimento fetal e até mesmo para a bioengenharia.

Os pesquisadores do CEGH-CEL – um Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPID) da FAPESP sediado na USP – já haviam descoberto, em 2014, que mutações no gene EIF4A3 estão relacionadas a anomalias decorrentes da síndrome. Um artigo recém-publicado na Human Molecular Genetics descreve os mecanismos celulares que desencadeiam a má-formação ao reconstituir as etapas do desenvolvimento craniofacial.

A formação da cabeça é um processo complexo, com várias etapas e processos envolvidos. Para que ela ocorra é preciso haver proliferação, migração celular e também a morte celular programada, chamada de apoptose. Os pesquisadores observaram que pacientes com a síndrome apresentam problema de migração celular durante o processo de formação craniofacial.

“Se houver problema de migração, haverá menos células povoando os tecidos que serão formados – por exemplo, a mandíbula e outros componentes do complexo craniofacial. Achamos que a quantidade reduzida de células devido à migração defeituosa resultaria em menos células para gerar esses tecidos”, disse Gerson Kobayashi, um dos autores do estudo cuja tese de doutorado foi a respeito do tema.

A reconstituição in vitro das etapas do desenvolvimento craniofacial foi feita a partir de células somáticas – células-tronco da polpa do dente ou fibroblasto ou ainda células do sangue – retiradas de pacientes com a síndrome de Richieri-Costa Pereira.

Essas células foram então reprogramadas para virar células pluripotentes, parecidas com células-tronco embrionárias. Isso permitiu criar células de crista neural (responsáveis por formar a maior parte dos ossos e cartilagens do complexo craniofacial) e células que depois de atingir um alto grau de diferenciação viram mesenquimais (células com plasticidade elevada que podem originar vários tecidos).

“Com as células de crista neural, conseguimos observar esses três processos e identificar se algum deles está comprometido nos pacientes. Com a proliferação e apoptose estava tudo bem, mas na migração não. O importante é que a célula de crista neural ao chegar a uma determinada região vai se diferenciar. Testamos a diferenciação para cartilagem e tecido ósseo e confirmamos que os dois processos estão comprometidos”, disse a professora Maria Rita Passos-Bueno, coordenadora do Laboratório de Diagnóstico Molecular de Doenças do CEGH-CEL.

Melhor prognóstico de cirurgia

Os estudos in vitro realizados no CEGH-CEL foram replicados em modelo animal por pesquisadores da Duke University. Kobayashi estima que será possível usar o modelo para procurar drogas que revertam o fenótipo da célula e possam ser utilizadas em gravidez de risco. A ideia é que os resultados do estudo possam servir de base para cirurgias mais eficientes.

“Vimos que há capacidade de formar osso, mas ela ocorre na época errada. A próxima pergunta a responder é se será possível intervir na hora de fazer uma cirurgia, porque esses pacientes precisam passar por vários procedimentos cirúrgicos. Com isso, seria possível administrar substâncias para que ocorra um processo de reconstituição óssea mais eficiente, ajudando a melhor prognóstico da cirurgia”, disse Passos-Bueno.

A pesquisadora estima que descobertas sobre os mecanismos da síndrome Richieri-Costa Pereira possam ser relevantes para estudos em bioengenharia de tecidos.

“O gene EIF4A3 parece ter um papel importante na formação da mandíbula e há um investimento para a produção de estruturas ósseas em laboratório, que poderão então ser usadas para substituição de tecidos ósseos comprometidos. Para isso, é preciso conhecer quais são as moléculas críticas, por exemplo, para garantir que a mandíbula tenha um determinado tamanho. A aplicação do conhecimento a longo prazo é para os pacientes, mas também para a bioengenharia de tecidos”, disse Passos-Bueno.

O artigo EIF4A3 deficient human iPSCs and mouse models demonstrate neural crest defects that underlie Richieri-Costa-Pereira syndrome, de Emily E. Miller, Gerson S. Kobayashi, Camila M. Musso, Miranda Allen, Felipe A.A. Ishiy, Luiz Carlos de Caire Jr., Ernesto Goulart, Karina Griesi-Oliveira, Roseli M. Zechi-Ceide, Antonio Richieri-Costa, Debora R. Bertolam, Maria Rita Passos-Bueno e Debra L. Silver, pode ser lido em: https://doi.org/10.1093/hmg/ddx078.