Poeminha de domingo

“Minha terra tem palmeiras onde canta o sabiá” (Gonçalves Dias). “No Brasil tudo é possível, até o impossível” (Machado de Assis). “No Brasil coqueiro dá coco” (Ary Barroso). “Ah, que saudades que eu tenho da aurora da minha vida” (Casimiro de Abreu). “Antes te houvessem roto na batalha, que servires um povo de mortalha” (Castro Alves). “Quero ser pobre sem deixar Copacabana” (Antonio Maria). “O Rio amanheceu cantando, toda cidade amanheceu em flor” (Braguinha). “O chefe da polícia, pelo telefone mandou me avisar que na Carioca tem uma roleta para se jogar” (Donga). “Copacabana, princesinha do mar, pelas manhãs tu és a vida a cantar” (Tom Jobim).

“Paquetá é um céu profundo que começa neste mundo mas não sabe onde acabar” (Hermes Fontes). “Os inocentes do Leblon não viram o navio entrar. Trouxe bailarinas? Trouxe imigrantes” (Drummond de Andrade). “Vou-me embora, senhora, que me dão para levar? Saudades, penas e lágrimas eu levo para chorar” (Machado de Assis). “Para ver a minha santa padroeira eu vou à Penha de qualquer maneira” (Ary Barroso). Passei por ela na rua Bom Pastor e ela nem soube que eu passei tão perto nem suspeita que segui chorando (eu mesmo).

A Ilha do Governador, como diz a geografia, é cercada de mar por todos os lados. Não tem nenhum governador, mas é o único lugar do mundo que tem o Peitoral Loiola, porque a sua farmácia não se chama Loiola mas Boriloi, nome que nunca foi explicado. Fica no Cacuia, em frente ao cemitério. Ao contrário do mundo, o cemitério tomou o nome do bairro, e o bairro ficou com o nome do cemitério (eu mesmo). “Senhor, eu quero andar na rua do Catete” (Rubem Braga). Devido à violência e às balas perdidas, o carioca pode morrer antes de nascer (segundo os jornais).”

Da coluna de hoje “Canções do Exílio” de Carlos H. Cony (FSP)